James Webb encontra objetos misteriosos com apenas duas vezes a massa de Júpiter e desafia modelos de formação estelar
Novas observações do Telescópio Espacial James Webb revelaram anãs marrons extremamente pequenas na região de formação estelar IC 348. Um dos objetos possui apenas cerca de duas vezes a massa de Júpiter e pode ajudar os cientistas a entender onde termina a formação de estrelas e começa a formação de planetas.
O Telescópio Espacial James Webb voltou a surpreender os astrônomos com uma descoberta que desafia algumas das ideias tradicionais sobre como os objetos cósmicos se formam.Durante novas observações da região de formação estelar conhecida como IC 348, o telescópio conseguiu identificar objetos extremamente pequenos, classificados como anãs marrons, com massas de aproximadamente duas vezes a massa de Júpiter.A descoberta é importante porque esses objetos estão entre as menores anãs marrons já identificadas e levantam uma questão fundamental: até que ponto um objeto precisa crescer para ser considerado uma estrela?
A NASA divulgou os resultados em setembro de 2026. As novas observações também fazem parte de um dos grandes objetivos do James Webb: estudar regiões onde estrelas e outros objetos estão nascendo.
O que são anãs marrons?
As anãs marrons são objetos que ocupam uma posição curiosa entre planetas gigantes e estrelas.Uma estrela como o Sol possui massa suficiente para manter reações de fusão nuclear em seu núcleo durante grande parte de sua existência.Uma anã marrom, entretanto, não possui massa suficiente para sustentar o mesmo tipo de fusão que alimenta estrelas como o Sol.Por isso, esses objetos são frequentemente chamados de “estrelas fracassadas”, embora o termo possa ser simplificador.Eles não são simplesmente planetas gigantes.
A forma como se originam pode ser semelhante à formação de estrelas, a partir do colapso de uma região de gás e poeira. É justamente essa característica que torna a descoberta do James Webb tão interessante.
Objetos pequenos demais para serem estrelas?
Antes das novas observações, os astrônomos já conheciam anãs marrons com massas muito baixas.Entretanto, a identificação de objetos com aproximadamente duas vezes a massa de Júpiter leva a discussão a um novo nível Júpiter é enorme quando comparado com a Terra. Mesmo assim, possui apenas uma pequena fração da massa necessária para se transformar em uma estrela.
Encontrar um objeto com aproximadamente duas massas de Júpiter em uma região onde estrelas estão nascendo significa que os cientistas precisam investigar cuidadosamente como ele conseguiu se formar.A descoberta pode ajudar a entender melhor os limites entre diferentes processos de formação cósmica.
A região IC 348
IC 348 é uma região relativamente próxima em termos astronômicos e conhecida por ser um ambiente onde novas estrelas estão se formando.Essas regiões são verdadeiros laboratórios naturais.Elas contêm grandes quantidades de gás e poeira, além de estrelas jovens e objetos que ainda estão passando pelos primeiros estágios de evolução.O James Webb foi utilizado para observar IC 348 com uma sensibilidade muito maior do que telescópios anteriores poderiam oferecer em determinadas faixas do espectro infravermelho.As novas observações permitiram identificar objetos extremamente fracos.
Segundo a NASA, os pesquisadores encontraram anãs marrons com aproximadamente duas vezes a massa de Júpiter, tornando esses objetos especialmente importantes para os estudos sobre formação estelar.
Um dos objetos possui um disco
Talvez uma das características mais interessantes da descoberta seja a presença de um disco ao redor de um dos objetos.Discos de gás e poeira são fundamentais na formação de estrelas e planetas.No nosso Sistema Solar, acredita-se que os planetas tenham surgido a partir de um disco de material que orbitava o jovem Sol.Por isso, encontrar um disco associado a uma anã marrom extremamente pequena pode ajudar os cientistas a investigar se processos semelhantes aos encontrados em sistemas planetários também podem acontecer ao redor desses objetos.Isso não significa que os pesquisadores tenham encontrado planetas nesse sistema.O que foi observado é um ambiente que pode oferecer pistas sobre a formação de objetos menores.
Onde termina uma estrela e começa um planeta?
Essa é uma das perguntas mais interessantes levantadas pela descoberta.Tradicionalmente, estrelas e planetas são classificados de acordo com suas características e processos de formação.Planetas gigantes podem possuir massas semelhantes às de algumas anãs marrons.Entretanto, dois objetos com massas parecidas podem ter histórias de formação diferentes.Um planeta gigante normalmente se forma dentro do disco ao redor de uma estrela.Já uma anã marrom pode se formar de maneira semelhante a uma estrela, por meio do colapso de uma região de gás.O problema aparece quando os cientistas encontram objetos extremamente pequenos que parecem ter se formado pelo processo associado às estrelas.É exatamente esse tipo de caso que pode ajudar a melhorar os modelos utilizados para explicar o nascimento dos objetos cósmicos.
O papel do James Webb
O James Webb foi projetado para observar o Universo principalmente no infravermelho.Essa capacidade é extremamente importante para estudar regiões envoltas por poeira.A luz visível pode ser bloqueada ou espalhada por grandes quantidades de poeira interestelar. Já determinadas faixas do infravermelho conseguem atravessar regiões que seriam muito difíceis de observar com outros instrumentos.Isso permite que o Webb observe estrelas jovens e objetos que ainda estão escondidos em ambientes de formação.No caso de IC 348, essa capacidade foi fundamental para revelar objetos muito fracos.
A descoberta demonstra como a sensibilidade do telescópio pode ampliar o conhecimento sobre os menores objetos encontrados em regiões de formação estelar.Uma nova pista sobre o nascimento dos planetas
A pesquisa também pode ter consequências para o estudo dos planetas.Se objetos extremamente pequenos conseguem se formar diretamente de maneira semelhante às estrelas, isso indica que os processos de formação no Universo podem ser mais variados do que os modelos simplificados sugerem.Talvez exista uma continuidade entre estrelas muito pequenas, anãs marrons e planetas gigantes.Ou talvez diferentes mecanismos sejam responsáveis por criar objetos que acabam apresentando massas semelhantes.Para descobrir a resposta, os astrônomos precisam observar muitos outros sistemas.
O que os cientistas vão procurar agora?
A próxima etapa será estudar mais detalhadamente esses objetos e procurar outras anãs marrons extremamente pequenas.
Se novos exemplos forem encontrados, será possível comparar suas massas, temperaturas, composição e ambientes.Também será importante investigar o disco identificado em torno de um dos objetos.
A presença desse disco pode fornecer informações sobre sua origem e sobre possíveis processos de formação de corpos menores ao seu redor.Observações futuras poderão revelar se esse tipo de objeto é raro ou se, na verdade, existe uma população muito maior escondida em regiões de formação estelar.
O Universo ainda guarda muitas surpresas
A descoberta em IC 348 mostra mais uma vez que o Universo não segue necessariamente as categorias simples que os seres humanos criaram para classificá-lo.Estrelas, anãs marrons e planetas podem apresentar características que tornam suas fronteiras menos claras.
Ao encontrar objetos com apenas cerca de duas vezes a massa de Júpiter em uma região de nascimento estelar, o James Webb oferece aos cientistas uma oportunidade única de estudar justamente essa fronteira.A pesquisa também reforça a importância de observar o Universo em diferentes comprimentos de onda.Quanto mais sensíveis ficam os telescópios, mais objetos anteriormente invisíveis começam a aparecer.
E alguns deles podem obrigar os cientistas a revisar ideias que pareciam bem estabelecidas.
No caso de IC 348, os pequenos objetos descobertos pelo James Webb podem ajudar a responder uma pergunta enorme: qual é o menor objeto que pode nascer pelo mesmo processo que cria uma estrela?
A resposta ainda não está totalmente definida.
Mas uma coisa já está clara: quanto mais o James Webb observa, mais complexa e fascinante fica nossa compreensão sobre o nascimento de estrelas, planetas e outros mundos no Universo.
Fonte: NASA Astrophysics Science Division, NASA e informações sobre as observações do James Webb divulgadas em setembro de 2026.